Você sabia que o excesso de vitaminas também faz mal?

Excesso de vitaminas também pode causar doenças
O consumo de vitaminas sem indicação médica pode parecer inofensivo, mas o excesso traz riscos graves, como a hipervitaminose. Embora suplementos tenham seu valor em situações específicas, a orientação de especialistas e a adoção de uma alimentação equilibrada continuam sendo as formas mais seguras de cuidar da saúde.

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Mesmo com o objetivo de ser mais saudável, o exagero ao tomar vitaminas sem orientação médica pode causar sérios prejuízos à saúde

A falsa sensação de segurança

Muita gente associa as vitaminas a algo sempre positivo, afinal, elas estão relacionadas à ideia de energia, disposição e prevenção de doenças. Como exemplo disso, a indústria de suplementos cresce ano após ano. No Brasil, 59% das famílias consomem algum tipo de suplemento alimentar regularmente, segundo a ABIADE (Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais).

O problema é que esse consumo, muitas vezes, não é acompanhado por exames ou orientação profissional. As pessoas compram vitaminas porque “ouviram dizer” que fazem bem para a imunidade, porque alguém famoso – geralmente na internet – divulgou ou porque acreditam que quanto maior o consumo, melhores são os resultados.

Essa lógica, que já é perigosa quando aplicada no consumo de medicamentos, também vale para os suplementos. O excesso de vitaminas pode trazer consequências graves e levar a uma condição conhecida como hipervitaminose.

Hipervitaminose: quando o excesso se torna um veneno

A hipervitaminose ocorre quando o corpo recebe doses de vitaminas muito acima do necessário. Isso é especialmente preocupante em relação às vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K), que não são eliminadas com facilidade e acabam se acumulando no fígado e nos tecidos.

O excesso de vitamina A, por exemplo, pode causar desde tontura e fadiga até problemas hepáticos e alterações neurológicas, além de ser um risco para gestantes. Já a vitamina D, tão popular nos últimos anos, pode provocar calcificação de vasos sanguíneos, enjoos, vômitos e até hipertensão quando consumida em altas doses sem que um médico tenha avaliado o paciente e percebido essa necessidade.

Mesmo as vitaminas hidrossolúveis, como a vitamina C, consideradas mais seguras por serem eliminadas pela urina, podem trazer problemas. Doses muito altas podem causar diarreia, dores abdominais e até cálculos renais.

Ou seja, aquilo que deveria proteger o corpo pode, em excesso, se transformar em um fator de risco.

O mito da imunidade e o papel da alimentação

Muitos ainda acreditam que tomar vitamina C evita resfriados e gripes. No entanto, estudos científicos apontam que, para a maioria das pessoas, a suplementação não tem efeito preventivo significativo contra essas doenças. A vitamina C pode até ajudar na redução do tempo de duração dos sintomas, mas isso não significa que consumir grandes doses vá blindar o organismo.

Além disso, especialistas lembram que é totalmente possível atingir as quantidades necessárias de vitaminas por meio de uma alimentação equilibrada. Frutas como laranja, goiaba, acerola e limão são fontes naturais riquíssimas de vitamina C, sem os riscos associados à comprimidos em excesso. 

O mesmo serve para outras vitaminas presentes em verduras, legumes, cereais integrais e proteínas magras. O que muitas vezes falta não é uma cápsula suplementar, mas variedade e riqueza de nutrientes na própria alimentação.

Quando a suplementação é necessária

Isso não significa que suplementos não tenham importância. Eles são fundamentais em casos de deficiências comprovadas, como em pessoas que passaram por cirurgias bariátricas, que possuem doenças inflamatórias que dificultam a absorção de nutrientes ou em indivíduos com condições como osteoporose, diabetes e uma imunidade frágil.

O Hospital Israelita Albert Einstein ressalta que a suplementação deve ser sempre guiada por exames clínicos e acompanhada por médicos ou nutricionistas, garantindo segurança e efetividade. Ou seja, existe espaço para o uso de suplementos, mas ele deve ser utilizado somente nas situações em que realmente há necessidade.

O perigo da automedicação

O Brasil tem uma forte cultura de automedicação, e este comportamento se estende também às vitaminas. A facilidade de compra em farmácias e até supermercados faz com que muitas pessoas deixem de procurar orientação profissional. O que pouca gente sabe é que o excesso de vitaminas pode gerar sintomas tão graves quanto a falta delas.

De acordo com pesquisa publicada no Jornal da USP, o consumo elevado pode levar a intoxicações, problemas renais, hepáticos e até cardiovasculares. O alerta dos especialistas é claro: mesmo o que parece inofensivo pode trazer riscos à saúde.

O equilíbrio como chave da saúde

O que a ciência mostra é que nem a escassez nem o excesso são benéficos para o funcionamento do organismo. O caminho mais seguro continua sendo a busca por equilíbrio, tendo uma alimentação diversificada e acompanhamento médico quando necessário. Antes de pensar em suplementação, vale investir em hábitos simples, como:

  • Incluir mais frutas e verduras no dia a dia;
  • Beber água regularmente;
  • Evitar alimentos ultraprocessados;
  • Praticar atividade física;
  • Realizar consultas e exames de rotina.

Esses pilares, muitas vezes esquecidos em detrimento de soluções rápidas, são os verdadeiros responsáveis por manter a saúde a longo prazo.

Cuidar de si mesmo também exige responsabilidade, e isso passa por confiar na orientação de médicos qualificados, evitando cair em armadilhas de soluções fáceis e baratas mas que podem custar caro à saúde.

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